HISTÓRIA DA CIDADE - IMIGRAÇÃO ALEMÃ

 

1.    Os imigrantes

 

Os alemães começaram a imigrar organizadamente para o Brasil em 1824, menos de dois anos depois da proclamação da Independência, por iniciativa do próprio Dom Pedro I, preocupado em povoar extensas regiões do Sul, ainda desabitadas e expostas à cobiça dos vizinhos do Prata. O imperador não pensava apenas em força de trabalho e ocupação de espaço, mas até em soldados prussianos remanescentes da resistência a Napoleão e outras guerras, que poderiam defender as fronteiras. Bem mais tarde, em 1851, 1.800 deles, conhecidos como os Brummer, seriam contratados pelo governo brasileiro especificamente para a guerra contra o ditador Rosas, mas passaram por penúrias e foram desertando e se incorporando às colônias alemãs do Sul. A escolha dos alemães se facilitou, também, pelo fato de a imperatriz Dona Leopoldina ser germânica da casa de Habsburgo.

Alemães

Mas os imigrantes que vieram em maior número foram agricultores e profissionais de ofícios, que aceitaram partir para a aventura do desconhecido, trazendo a esperança como bagagem maior, por causa das dificuldades que enfrentavam em sua terra, de um lado arrasada pelas invasões napoleônicas, e de outro sucumbindo ao processo de industrialização em curso na Europa. Chegando ao Brasil, logo perceberam que tinham sido aliciados com algumas promessas que não seriam cumpridas. Mas não havia caminho de volta. Depois de entrar no navio, a única alternativa era renunciar à própria pátria, onde não havia mesmo muita esperança, e adotar a plena cidadania brasileira.

 

Sem esmorecer, eles enfrentaram as adversidades, construíram seus ranchos, desbravaram matas e faxinais, sobreviveram e prosperaram. Com o tempo, suas povoações se transformaram em vilas e cidades, as picadas em estradas, as artes de ofícios em indústrias de porte, os armazéns em empórios comerciais. Sem dominar a língua do País, os colonos educaram seus filhos com limitação de escolaridade, mas com robustez de valores éticos e morais. Assim, apoiados no tripé inquebrantável de fé-educação-trabalho, muitos deles, pelas gerações afora, galgaram posições de liderança, especialmente no mundo do trabalho, mas também nas profissões liberais, no magistério, no clero, no esporte, em carreiras técnicas, militares e tantas outras pelo Estado e pelo País.

Colonos

Segundo o professor francês Jean Roche – que durante oito anos, na década de 1950, viveu em Porto Alegre e pesquisou profundamente a imigração alemã no Estado – não mais que a metade dos imigrantes eram realmente agricultores. Havia entre eles ferreiros, serralheiros, fundidores, curtidores de couro, mecânicos, sapateiros, alfaiates, seleiros, marceneiros, moleiros e tantos outros.

 

Nos primeiros seis anos de imigração (1824-1830), mais de cinco mil alemães chegaram ao Rio Grande do Sul, para ocupar principalmente terras devolutas, nelas fixando suas pequenas propriedades, sob as condições impostas pelo Império. Reconhecendo sua eficiência e seu grande devotamento ao trabalho, e temendo a concorrência, quiseram os estancieiros que esses imigrantes fossem peões em suas fazendas, carentes de mão-de-obra. Por causa dessa pressão, De grande força política, o fluxo imigratório foi suspenso em 1830, e assim permaneceu até o final da Revolução Farroupilha, que começou cinco anos depois e se estendeu por mais uma década. Somente em 1847 é que voltaram à pauta as imigrações, agora transferidas para a responsabilidade da Província. O governo provincial criou, então, a Colônia de Santa Cruz, no município de Rio Pardo, para onde passaram a ser encaminhados todos os alemães imigrados durante um certo período.

 

Com o passar do tempo, o modelo trazido pelos imigrantes alemães – mais tarde também seguido pelos demais grupos étnicos europeus – mostrou-se nitidamente mais eficiente do ponto de vista social e econômico. Resultou num desenvolvimento mais harmonioso das regiões de colonização européia, hoje situadas predominantemente na metade norte do Estado.

 

E os fatos o comprovaram. Em 1853, quatro anos após a chegada dos primeiros imigrantes à colônia de Santa Cruz, o agente de colonização Pedro Kleudgen já o testemunhava: “O colono é o seu próprio senhor e, por ser livre de tutela, aprende a se valorizar e a conhecer sua força. Ele vive satisfeito com seu trabalho, porque tem sucesso e sabe que no futuro deixará para os seus filhos uma bela e grande propriedade”. E em 1868, o próprio presidente da Província, Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo, reconhecia na imigração um vantajoso contraponto para o regime escravocrata, confessando-se “tomado de uma profunda admiração, ao contemplar os resultados do trabalho livre. Há pouco tempo existia aqui apenas um vazio, povoado somente por animais. Hoje, este chão se transformou e foi entregue para sempre ao homem civilizado, devido ao esforço de um povo cheio de energia e religiosidade”.

 

Mas como esse colono terá encontrado tanta força, no meio de toda aquela adversidade? Sentiu que sozinho não chegaria a lugar nenhum, por isso usou a fé cristã como combustível, unindo-se em comunidades para praticar sua religião e educar suas crianças. O governo praticamente não alcançava o interior, por isso cada comunidade de fiéis tinha, além da igreja, também a sua escolinha privada, sustentada no suor de cada um. Esta foi outra importante contribuição dos imigrantes para a mudança do perfil humano e social do Rio Grande do Sul.

 

A vinda regular de alemães para o Estado se interrompeu em 1914, quando a Alemanha se envolveu na Primeira Guerra, parecendo que os laços com a pátria-mãe se romperiam definitivamente. Legiões de imigrantes germânicos tinham sido acolhidos aqui, trazendo importante contribuição à força de trabalho e à construção do desenvolvimento agrícola e industrial. E esta população se engrossou muito rapidamente por causa da tradição de famílias numerosas. Jean Roche menciona que a taxa de natalidade, nas duas primeiras gerações de imigrantes, se situava entre seis e 13 filhos por família. O modelo da colonização européia sempre foi bem aceito, inclusive pelas autoridades, por sua importante contribuição social e econômica. Júlio de Castilhos, no auge de seu poder quase absoluto, em mensagem ao governo central, certa vez assim se referiu à imigração européia, que estava em curso: “Importa desenvolver a imigração denominada espontânea, única a que sou doutrinariamente adeso. O colono aqui se transforma logo em pequeno proprietário agrícola, sente de imediato bem-estar em sua modesta propriedade, adquire condições de fixidez normal, radica-se afetuosamente ao solo hospitaleiro, que lhe dá o pão para a família e a prosperidade doméstica, e adapta-se facilmente aos nossos hábitos País.

 

2. A Colônia

 

A sede do município de Rio Pardo tinha sido elevada, em 1846, à condição de cidade, e a Câmara local desejava estabelecer uma comunicação para os chamados “Campos de Cima da Serra”, na região da Soledade, então distrito de Cruz Alta, por meio de uma estrada ou picada, para encurtar o caminho e atrair o comércio daquela região. Rio Pardo era um empório comercial que atendia a uma vasta área da Província, compreendida entre o centro, a campanha, o oeste e parte da serra a noroeste.

 

A abertura do caminho da Picada Santa Cruz, ou Picada Velha, mais tarde denominada Linha Santa Cruz, foi contratada com Abel Corrêa da Câmara, o que deu origem à denominação “Picada do Abel”, como o lugar também ficou conhecido. Era presidente da Província o Tenente-General Francisco José de Souza Soares de Andréa, Barão de Caçapava, quando foi constituída, a 2 de dezembro de 1849, a Colônia de Santa Cruz, em terras do distrito rio-pardense da Serra do Botucaraí, entre a margem esquerda do rio Pardo e o arroio Taquari Mirim. E já estavam no Brasil, desde 15 de setembro do mesmo ano, os primeiros 12 imigrantes alemães destinados à nova colônia. Na verdade eram 13, mas um deles, João Beckenkamp, foi retido no Rio de Janeiro pelo próprio imperador Dom Pedro II, para ser o cocheiro do paço (que hoje seria o motorista do palácio), só vindo para a colônia no ano seguinte. Os primeiros lotes foram demarcados pelo engenheiro Frederico Augusto de Vasconcelos Almeida Pereira Cabral, a partir de novembro daquele ano. Eram áreas de 160 braças quadradas (cerca de 70 hectares), correspondendo a 100 braças de largura e 1.600 braças de fundos, na direção do rio Pardinho. Os dois primeiros foram destinados a João Guilherme Werlang e Francisco Dillenburg, procedentes da colônia de São Leopoldo, que tinham auxiliado na demarcação. E o terceiro ficou para Pedro Kleudgen, que na verdade foi o primeiro imigrante da colônia, chegado em setembro de 1849, como promotor da imigração e, segundo consta, interessado no estabelecimento de comércio na região.

 

Na área do Faxinal, havia então quatro moradores: Gregório Silveira, José Rodrigues de Almeida, o vendeiro Agostinho Antônio de Barros e João de Faria Rosa, este proprietário da Sesmaria do Faxinal, herdada do pai e do avô, que tiveram o mesmo nome no registro, e limitada pelo Arroio das Pedras (Arroio Grande) ao sul; pelo Rio Pardinho, a oeste; pelo Arroio Lajeado e Serro do Pinheiro, ao norte; e a leste pela Cordilheira da Serra, em que foi aberta a Picada Velha, até o Arroio das Pedras. Este é o perímetro básico sobre o qual se construiria, mais tarde, a povoação e a cidade de Santa Cruz do Sul, e é por isso que alguns historiadores mencionam que a colônia também era conhecida como Faxinal de João Faria. Os imigrantes destinados à Colônia de Santa Cruz, que tinham atravessado o oceano a bordo da barca prussiana Bessel, chegaram a Rio Pardo no dia 17 de dezembro de 1849, viajando pelo rio Jacuí no barco Bela Francisca. Dois dias depois, transportados por carretas de duas rodas, chegavam ao Faxinal de João Faria, bem perto do local em que deveriam ser fixados. E foi o próprio João de Faria Rosa, cuja residência se localizava na região alta da atual rua Marechal Floriano, quem os transportou até o local dos seus lotes, na Picada do Abel (Linha Santa Cruz). Estes primeiros 12 imigrantes foram os seguintes: Augusto Wuttke (42 anos), católico, moleiro, sua mulher Francisca (33) e os filhos Guilherme (14), Joana Maria (13), Lucas (6) e Juliana (4); Frederico Tietze (28), evangélico, moleiro, e sua irmã Carlota (30); Augusto Raffler (26), católico, lavrador; Gottlieb Pohl (29), evangélico, lavrador; Augusto Arnold (43), evangélico, lavrador; e Augusto Mandler (30), evangélico, lavrador. Com exceção deste último, que era prussiano, todos os demais eram naturais da Silésia, território hoje pertencente à Polônia.

 

Em outubro de 1850, deu-se a nomeação do primeiro administrador da Colônia. Habitante do lote nº 18, na companhia do colono Jacob Haar, e proprietário de terras a leste da colônia, Evaristo Alves de Oliveira assumiu em novembro, como vice-diretor, sob a supervisão do diretor geral da colonização, João Daniel Hillebrand, que morava em São Leopoldo.

 

Amstad afirma que Santa Cruz teve um “desenvolvimento promissor” nos primeiros anos, o que estimulou a criação de novas colônias na região, como Rincão d’El Rei, em 1853, Santo Ângelo (Agudo), em 1857, e também Monte Alverne, em 1859. Ele ainda registra o depoimento atribuído a um certo Capitão Hornmeier, de que “Santa Cruz se distingue com grande vantagem da velha colônia de São Leopoldo, pela índole mais pacífica e maior consciência comunitária dos colonos”.

 

A afirmação está confirmada, de certa forma, no relatório do diretor Evaristo Alves de Oliveira, de 26/12/1850, quando fala na “moralidade e bons costumes” dos colonos de Santa Cruz, a maioria de origem prussiana, que para cá vieram “com atestados de conduta”. Segundo ele, “os maus exemplos têm aparecido naqueles que residiam no Brasil, que obtiveram colônias em outros lugares, e vieram tirar aqui por fim especulativo, e se ausentaram endividados, havendo, contudo, honrosas exceções”. E mencionou o caso de um colono vindo de outra localidade, que foi processado por crime de morte e, mesmo absolvido pelo júri de Rio Pardo, ficou sem clima na comunidade e teve que ser transferido para outra colônia, por “reprovação e perda de estima” diante dos outros moradores, que temiam fossem arranhados os valores morais e os bons costumes.

 

Na obra Missões Orientais (1909), mencionada por J. Bittencourt de Menezes, Hemetério José Veloso da Silveira afirma que “no Brasil inteiro, talvez não fosse tirado dinheiro de cofres públicos e empregado com melhor êxito do que o da fundação da colônia de Santa Cruz”. E não era para menos: em apenas 15 anos, de 1850 a 1865, os colonos de Santa Cruz tiraram do brejo e da mata virgem, além de todo o sustento das suas famílias e da produção exportada, mais um milhão e 814 mil contos de réis em impostos, valor sete vezes superior aos 261 mil contos de réis que tinham sido gastos pelo governo com toda a implantação da Colônia, a partir de 1849.

 

3. A Povoação

 

A partir do final de 1854 foi apresentada a planta da povoação, destinando áreas para terrenos urbanos, chácaras, logradouros públicos e dois cemitérios. Os primeiros quarteirões, em número de nove, foram os da atual praça Getúlio Vargas (então praça de São Pedro) e os que a circundam, limitados pelas ruas Ten. Cel. Brito, 28 de Setembro, Tomás Flores e Fernando Abbott.

 

A nova sede da Colônia passou a ser chamada oficialmente Povoação de São João de Santa Cruz.

 

O catolicismo era a religião oficial do Brasil Império. Por isso, ainda em 1855, junto com a implantação da povoação, mandou o governo da Província chamar concorrência para edificar uma capela católica, obra que desde 1851 já tinha uma verba orçamentária de quatro contos de réis. A construção seria feita “no lugar mais asado”, o terreno mais elevado da povoação, já previsto na planta, onde hoje está a Catedral São João Batista.

Igreja Matriz

 

4. A Freguesia

 

Em 1859, foi a povoação de São João de Santa Cruz elevada a Freguesia, pela Lei Provincial nº 432, de 8 de janeiro, e João Martin Buff substituído por Antônio Prudente da Fonseca como diretor da Colônia, que já tinha 2.409 habitantes. A Freguesia foi instalada pelo padre vigário Manoel José da Conceição Braga, titular da paróquia de Rio Pardo, já que a sede paroquial de Santa Cruz só seria fundada com a nova igreja de São João, ainda não construída. Entrementes, foi também fundada a colônia de Monte Alverne, em 1859, a partir de Taquari, mas logo ela começou a ficar dependente de Santa Cruz. E na mesma época, pela pressão das imigrações cada vez mais numerosas, no interior da própria colônia de Santa Cruz vinham sendo abertas picadas para abrigar novos imigrantes. Aí surgiram Dona Josefa, Faxinal de Dentro, Sinimbu, Ferraz, Bom Jesus, Vila Teresa (todas entre 1857 e 1859), Rio Pardense (1862) e Linha Nova I e II (Rauberloch e Zinsertal, em 1864), entre outras. A que mais rapidamente prosperou foi Vila Teresa, atual cidade de Vera Cruz, que já em 1866 se transformaria em povoação.

 

A colônia de Santa Cruz prosperava a olhos vistos, tanto que o presidente da Província, Espiridião Elói de Barros Pimentel, afirmou, em relatório de 1864, que “é esta a mais rica, a mais populosa, e por conseguinte a mais importante das colônias provinciais, não obstante as dificuldades com que tem lutado, das quais a maior é a dificuldade de comunicação com o mercado”. Ele apanhou muito bem o grande problema, porque a produção em Santa Cruz explodia, mas o acesso ao mercado era precário. Esta situação, mais a grande dívida dos colonos, que precisava ser cobrada, inviabilizava a idéia, defendida por Karl von Koseritz e muitos outros, de extinguir a colônia e criar o município, apenas 15 anos após a chegada dos primeiros imigrantes. Mabilde foi sucedido, em 1870, por Carlos Trein Filho, e assim, segundo consta, pela primeira vez um filho da terra chegou ao cargo de Diretor da Colônia, que já tinha 5.809 habitantes. Em 1872, pela lei nº 807, a Província extinguiu os cargos de diretor e ajudante de diretor da Colônia de Santa Cruz, que foi dada como “emancipada e considerada nas condições civis dos demais habitantes do país”. Era o fim da Colônia, que voltaria a ligar-se à administração do município de Rio Pardo.

 

Mas o governo voltou a contratar os serviços de Carlos Trein Filho, pelo seu grande conhecimento e, principalmente, porque precisavam ser arrecadadas as dívidas dos colonos, provenientes de auxílios por eles recebidos. Além disso, havia problemas com divisas dos lotes, que precisavam ser resolvidos. Talvez não por acaso, foi em 1872 que se falou pela primeira vez na construção de um ramal ferroviário ligando a Estação do Couto (hoje Ramiz Galvão) a Santa Cruz, assunto que só voltaria a ser tratado dez anos depois, já com o Município criado. Em julho de 1878, Trein foi encarregado de fazer uma nova medição e demarcação de todos os lotes da ex-colônia, para completar os cadastros e passar os títulos de propriedade aos colonos, assim preparando definitivamente a freguesia para, ainda no mesmo ano, tornar-se município autônomo.

           

Assim autorizado pelo governo da Província, Trein continuou suas atividades de diretor até depois da emancipação e instalação da primeira Câmara de Vereadores (1878), da qual ele mesmo fez parte. Ele foi, como se vê, uma figura de grande importância na história de Santa Cruz durante o período de transição entre a Colônia e a criação do Município, de 1870 a 1878, como também na primeira década de autonomia municipal, ao lado do tenente-coronel Joaquim José de Brito.

 

5. O Município

Passados escassos 27 anos desde que tinham chegado os primeiros colonizadores, o vicepresidente da Província, João Dias de Castro, baixou a lei nº 1.079, de 31 de março de 1877, elevando “à categoria de vila a povoação da freguesia de São João de Santa Cruz” e definindo os limites do novo Município. E no dia 28 de setembro de 1878, instalou-se a Câmara Municipal na casa situada na esquina das ruas São Pedro e Taquarembó (atuais Marechal Floriano e 28 de Setembro). A investidura dos sete vereadores eleitos foi presidida por Joaquim Alves de Souza, presidente da Câmara de Rio Pardo, e a ata lavrada pelo secretário Virgilio Pereira Monteiro. A sessão de posse foi presidida pelo vereador Joaquim José de Brito (Ten. Cel. Brito), mas na primeira reunião ordinária, dia 15 de outubro, a presidência já foi exercida por Carlos Trein Filho. O novo município se emancipou com estimativa de aproximadamente 10 mil habitantes.

 

6. A cidade

 

A 3 de junho de 1897, Santa Cruz recebeu a visita do presidente do Estado, Júlio Prates de Castilhos, permanecendo até o dia 5 e anunciando a reconstrução da ponte sobre o Rio Pardinho. Durante banquete no Clube União, foi lançado candidato à presidência da república.

 

E dia 1º de setembro do mesmo ano, Jorge Henrique Eichenberg foi eleito novo Intendente, assumindo o cargo no dia 16 do mesmo mês e retomando a mobilização em favor do ramal ferroviário, que tinha sido iniciada em 1882. Em 1900, o engenheiro Dario Pederneiras conseguiu o compromisso do governo para a construção do ramal. Mas o contrato só foi assinado em maio de 1904. A estação ferroviária deveria ser construída em área na várzea, doada pelo Estado ao Município, a mesma que abriga hoje a Oktoberfest. Mas houve razões técnicas relacionadas ao excesso de aclive para as saídas do trem, e por isso o projeto foi transferido para um terreno pertencente a Carlos Trein Filho e Cirino Abdon Silva Branco, mais perto do centro. No dia 22 de setembro de 1905, foi colocado o último trilho e chegou o primeiro trem a Santa Cruz. A inauguração aconteceu a 19 de novembro, com a presença de Borges de Medeiros, presidente da Província, que de quebra ainda decretou a elevação da vila de Santa Cruz à condição de cidade, por causa do “seu notável progresso”, na presença de quatro mil pessoas.

 

A luz elétrica chegou em 1906, a rede telefônica urbana em 1907, a Hidráulica Municipal da Gruta e o Hospital Santa Cruz em 1908. Na eleição de setembro de 1908, Galvão Costa obteve maioria de votos, mas não alcançou os dois terços exigidos por lei para se reeleger. O alferes reformado João Gomes Cardoso foi nomeado provisoriamente, até que, um ano depois, uma nova eleição o confirmasse no cargo até 1912. Foi ele quem viu, no seu governo, o primeiro automóvel circular em Santa Cruz, no final de 1911. Findo o prazo do mandato e não tendo havido eleição, Cardoso entregou o cargo ao subintendente do 1º distrito, José Werlang, a 7 de dezembro de 1912. Uma semana depois, mais uma vez o governo do Estado nomeou Galvão Costa como intendente provisório, até sagrar-se vencedor nas novas eleições, realizadas em março de 1913.

 

Em 1929, foi lançada a pedra fundamental da nova Igreja Católica, a atual Catedral São João Batista, cuja construção se estenderia até 1939, mas ainda inconclusa. Inconformado com a anulação do pleito, José Wohlgemuth Koelzer pedira recontagem de votos e foi atendido, resultando na confirmação de sua vitória. Koelzer governou de 1929 a 1932, sendo o último Intendente e também o primeiro Prefeito de Santa Cruz. Com a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, os Conselhos Municipais foram dissolvidos e os municípios passaram a ser administrados por Prefeitos, que logo ganharam Conselhos Consultivos nomeados pelo Interventor Federal no Estado.

 

7. A guerra

 

A 1º de janeiro de 1945, em decorrência de um decreto de Vargas ainda no final de 1944, proibindo duplicidade de topônimos no País, o Município passou a chamar-se Santa Cruz do Sul, para distingui-lo dos demais. O nome da cidade foi salvo por intervenção de Francisco J. Frantz, então secretário da Associação do Comércio, Indústria e Agricultura, e do advogado Arthur Germano Fett, porque o prefeito Dario Barbosa trabalhava a idéia de escolher o nome entre três sugestões que tinha recebido – Petituba, Itororó ou Andrade Neves – numa espécie de represália contra a sua população predominantemente germânica.

 

8. A retomada

 

O governo de Orlando Oscar Baumhardt, que durou cinco anos (1964-69), atravessou a crise nacional que culminou com a deposição do presidente João Goulart e a implantação do regime militar, em 1964. Em Santa Cruz, a Câmara cassou os vereadores Roberto Hartungs e Júlio de Oliveira Vianna, do PTB, mas eles foram reintegrados por decisão do juiz Alfredo Zimmer. No mesmo ano, começava a funcionar o primeiro curso superior, a Faculdade de Ciências Contábeis, no Colégio São Luís. Em 1966, realizou-se a 1ª Festa Nacional do Fumo (Fenaf), foi criado o primeiro Distrito Industrial do Município e o telefone a manivela foi substituído pelo sistema automático. Foram, também, extintos todos os partidos políticos e criados apenas dois: a Arena, para sustentar o regime militar, e o MDB, como oposição.

 

Na eleição de 1968, havendo apenas dois partidos, vigorou pela primeira vez o sistema da sublegenda, possibilitando ao mesmo partido lançar até três chapas para a disputa majoritária, somando todos os votos da legenda para apuração final do vencedor. Com os dois partidos registrando duas sublegendas, a Arena venceu o pleito com Edmundo Hoppe, tendo Edgar Gruendling como vice. Neste seu segundo mandato (1969-73), Hoppe solidificou o Distrito Industrial e liderou a realização da 2ª Fenaf (1972). Foi inaugurada a rodovia asfaltada entre Santa Cruz do Sul e Pantano Grande (1971) e, no mesmo ano, o Município foi o primeiro do interior do Estado com discagem direta à distância (DDD). Os primeiros orelhões (telefones públicos) foram instalados em 1972. Inaugurando o processo de crescimento vertical na área mais abastada da cidade, foi construído o Edifício Dona Paula, primeiro condomínio residencial com elevador, ao lado do Clube União, mesmo local em que fora edificada a primeira casa de alvenaria, em 1862, por Carlos Trein. Este período de governo, tanto quanto o anterior, marcou importantes obras de eletrificação e de construção de escolas municipais, em substituição às aulas particulares, que não conseguiam mais sobreviver.

A eleição de 1972 foi conturbada pela divisão do partido do governo, a Arena, que acabou concorrendo com chapa única, contra duas do MDB. A vitória de Elemar Gruendling (MDB) para prefeito, com Ruben Kaempf de vice, foi surpreendente e com pequena margem de votos, graças à soma das sublegendas. Em seu governo, Gruendling criou as secretarias de Planejamento e Coordenação, de Turismo e de Trabalho e Ação Social, fez elaborar o primeiro projeto de Plano Diretor da cidade, deu uma casa própria ao ensino superior, na rua Cel. Oscar Jost, implantou o Parque da Gruta como ponto de lazer para a população, lançou a idéia da Oktoberfest em substituição à Fenaf, incorporou ao patrimônio municipal o antigo Posto Agropecuário do Ministério da Agricultura (mais tarde vendido à Souza Cruz), implementou projetos habitacionais e resgatou o carnaval de rua.

 

Administradores de Santa Cruz do Sul, de 1850 a 2006:

VICE-DIRETOR DA COLÔNIA

1850-1851 – Evaristo Alves de Oliveira

DIRETORES DA COLÔNIA

1851-1859 – João Martin Buff

1859-1860 – Antônio Prudente da Fonseca

1860-1863 – Carl August Maximilian Alexander von Schwerin

1863-1864 – Floriano Schorowsky (ou von Zurowskin, ou von Zorowski)

1864-1870 – Affonso Pedro Mabilde

1870-1890 – Carlos Trein Filho (contratado pela Província, através da lei nº 1158,

continuou exercendo o cargo de Diretor da Colônia até dois anos após a instalação do

Município, para cobrar as dívidas dos colonos, proveniente de auxílios por eles recebidos, e regularizar a medição dos lotes coloniais).

 

PRESIDENTES DA CÂMARA MUNICIPAL

1878 – Joaquim José de Brito (Ten. Cel. Brito) e Carlos Trein Filho

1879 – Carlos Trein Filho

1880 – Joaquim José de Brito

1881-1882 – Abrahão Tatsch

1883-1884 – Frederico Guilherme Bartholomay

1884-1886 – Joaquim José de Brito

1886 – Jorge Júlio Eichenberg

1887-1889 – Joaquim José de Brito

Confira mais dados no site oficial da Câmara Municipal

COMISSÃO ADMINISTRATIVA MUNICIPAL

1890-1891 – Joaquim José de Brito, João Leite Pereira da Cunha e Adão Jost

1891-1892 – João Leite Pereira da Cunha, Adão Jost, Pedro José Koelzer e Paulo Billig

INTENDENTES MUNICIPAIS

1892-1894 – João Leite Pereira da Cunha

1894-1898 – Galvão Costa

1898-1900 – Jorge Henrique Eichenberg

1900-1904 – Adalberto Pitta Pinheiro

1904-1908 – Galvão Costa

1908-1913 – João Gomes Cardoso

1913-1916 – Galvão Costa

1916-1925 – Gaspar Bartholomay

1925-1928 – Felippe Jacobus Filho

1928-1929 – Felício Augusto de Almeida

1929-1930 – José Wohlgemuth Koelzer

PREFEITOS MUNICIPAIS

1930-1933 – José Wohlgemuth Koelzer

1933-1938 – Oscar Raphael Jost

1938-1940 – Caio Brandão de Mello

1940-1945 – Dario de Azevedo Barbosa

1945 – Willy Carlos Froehlich

1945-1946 – Dario de Azevedo Barbosa

1946-1947 – Willy Carlos Froehlich

1947-1948 – Bruno Agnes (substituto)

1948-1952 – Alfredo José Kliemann (vice: Arnaldo Gruendling)

1952-1955 – Arthur de Jesus Ferreira (vice: Elíbio Mailender)

1955 – Elíbio Mailaender (substituto)

1955-1959 – Arthur Walter Kaempf (vice: Frederico Guilherme. Bartholomay)

1959-1963 – Edmundo Hoppe (vice: Orlando Oscar Baumhardt)

1963-1968 – Orlando Oscar Baumhardt (vice: Silvérius Kist)

1968-1973 – Edmundo Hoppe (vice: Edgar Gruendling)

1973-1977 – Elemar Gruendling (vice: Ruben Guilherme Kaempf)

1977-1983 – Arno João Frantz (vice: Armando Wink)

1983-1989 – Armando Wink (vice: Normélio Egídio Boettcher)

1989-1993 – Arno João Frantz (vice: Telmo José Kirst)

1993-1996 – Edmar Guilherme Hermany (vice: Roque Dick)

1997-2000 – Sérgio Ivan Moraes (vice: Gastão Roberto Schmitt)

2001-2004 – Sérgio Ivan Moraes (vice: Emílio Hoeltgebaum)

2005-........ – José Alberto Wenzel (vice: Helena Hermany)

Confira mais dados no site oficial da Prefeitura.

 

Fritz e FridaCathedralPrefeitura